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[Magia sem Lágrimas]: O Daimōn Viciado

Atualizado: 20 de mar.


19 DE MARÇO DE 2025 E.V. – O Daimōn Viciado

 

Anno Vviii

Sol in 29° Peixes, Luna in 27° Escorpião

Dies Mercurii

19 de Março de 2025 e.v.

 

Care Frater,

 

Faz o que tu queres há de ser tudo da Lei.

 

Você diz: Considerando que o daimōn pessoal representa a força motriz que subjaz todos os impulsos do indivíduo, conduzindo seu destino, até que haja a iniciação desse indivíduo em algum culto de divindade, quando então esse daimōn se submeterá à divindade cultuada, por uma questão de hierarquia; pois bem, considerando essa reflexão, o senhor poderia compartilhar sua visão sobre «o livre arbítrio» e como se aplica a esse processo de dedicação da alma?

 

Hoje no meu sādhanā matinal estava refletindo sobre Os Fragmentos de Estobeu (I:20), onde lê-se: o bem é voluntário, o mal é involuntário. O que essa passagem da Hermética revela? Que nós só somos livres de verdade quando escolhemos o bem, porque a escolha pelo mal sempre é orientada pelas paixões e pelos vícios. Nos termos da Hermética, a escolha pelo bem é sempre uma escolha noética; a escolha pelo mal, por outro lado, sempre é fruto de uma miragem, uma ilusão, um devaneio do logos. No Corpos Hermeticum, os indivíduos orientados apenas pelo logos são chamados de logikoi, e são descritos como com características, pulsões e comportamentos selvagens, degradantes.

 

O termo livre-arbítrio denota liberdade de escolha; toda escolha deliberada pelas peixões e vícios, não é, de fato, livre, mas dependente, escrava, submissa as partes mais torpes da alma. Na linguagem thelêmica, o daimōn pessoal está viciado, como falei na carta anterior, conectado ao nephesh. Ele, portanto, impulsionará o indivíduo a todo tipo de escolha e ação torpe, viciante, decadente, imprudente. Ele estará acorrentado. Abaixo segue um excerto do livro Corrente 93 com uma pintura, chamada Māyā: o Daimōn Viciado. Anexo a passagem na íntegra. O texto foi escrito pelo artista, Frater Daimōn-z, antigo Probacionista da A∴A∴ e que fazia as ilustrações para o antigo Jornal Corrente 93.

 

A ilustração (acima) é uma imagem com diversos simbolismos que podem passar despercebidos pelo leitor que não está familiarizado com alguns aspectos da tradição mágica ocidental. Discutirei as visões sobre a figura do daimōn e seu histórico, ajustando o conceito de daimōn pessoal com as suas diversas concepções sobre este tipo de criatura espiritual. Além disso, farei ligações com o Caminho do Diabo, o Atu XV do Tarot, que está situada entre Tiphereth e Hod na Árvore da Vida, mas também com a sua contraparte na Árvore da Morte, o Túnel de A’ano’nin. E por último farei uma conexão entre estes conceitos e māyā, a ilusão dos hindus.

 

O Daimōn

 

A classe de espíritos onde os daimōnes podem ser alocados possui um vasto número de definições sobre a sua natureza, suas funções etc. A etimologia da palavra daimōn significa aquele que distribui riquezas ou a sorte. A sorte podemos aqui vincular com precisão ao sentido de destino. Conforme Plutarco (46-120 d.C.), Empédocles (195-430 a.C.) menciona sobre a existência de dois daimōnes e dois destinos, acompanhando o indivíduo desde o nascimento. Em uma das definições sobre a função do daimōn está a de intermediário, o daimōn que faz a ligação entre os mortais e os seres imortais, atuando como o mensageiro dos deuses. É ele quem leva as mensagens de cima para baixo e transmite as preces aos deuses feitas pelos mortais.

 

Na literatura grega, por exemplo, nos escritos atribuídos a Homero, em um dos trechos vemos que o daimōn deve responder e agir através da designação de uma deidade superior a ele. As conexões são inúmeras, mas uma em especial é a que o daimōn andaria próximo à deusa da previdência, estando próximo assim da Psiquê e do Nous. A Psiquê podemos dizer que é a vida, a mente, a alma ou espírito, também. Nous sendo a parte divina do indivíduo, além da mente, a razão e o entendimento. São estas partes que recebem a comunicação direta do daimōn. Aqui é interessante assimilarmos que a Psiquê é o estado de sono sem sonhos, pois é aí que age a intuição divina que foi inspirada pelas informações passadas pelo daimōn. Dessa forma cabe à mente decifrar ou qualificar as informações conforme seu nível de purificação e discernimento espiritual, agindo em acordo com sua interpretação e o valor que atribuiu ao que seu daimōn pessoal lhe disse.

 

Os contatos com o daimōn só podem ser devidamente ou adequadamente feitos através de nossa intuição, a parte superior da Alma. Porém esse diálogo será compreendido ou mal compreendido dependendo do nível em que a mente está trabalhando para decifrar as transmissões recebidas. A mente só será um recurso seguro somente depois do trabalho do Adepto Menor e Maior de alinhar o seu ruach, o Eu Inferior com o Eu Superior, assentando a Lucidez (L.V.X) no equilíbrio, na encruzilhada da sua mente em seus estados sutis e brutos. É necessário acrescentar que o daimōn não se importa por questões morais, sua contribuição para com o magista é auxiliá-lo no decorrer da sua encarnação, ou seja, seus ensinamentos se enquadram somente no contexto das ações que moldam a sua vida.

 

Vincular o daimōn a uma projeção do nosso Sagrado Anjo Guardião abaixo do Abismo pode nos facilitar um entendimento que creio possuir uma chave. O daimōn tendo sido designado a auxiliar a vida do homem encarnado, ele responderia a sua contraparte divina, o Sagrado Anjo Guardião.[1] Com isso em mente, pessoalmente especulo que o daimōn pessoal poderia sim ser um Chefe Secreto[2] que decidiu encarnar como um guardião da Alma encarnada. Um Chefe Secreto, assim acredita-se, trata-se de um Mestre Espiritual que já esteve encarnado e construiu a partir de seu trabalho espiritual um Corpo de Luz Incorruptível, garantindo sua presença entre os guias da humanidade acima do Abismo. Um Chefe Secreto pode se comunicar com a humanidade de formas distintas. Aiwass se manifestou como o daimōn pessoal de Crowley e manteve contato com ele em diversas ocasiões e operações mágicas.

 

Mas nessa pesquisa surge uma questão. A natureza de um daimōn é essencialmente elemental e o daimōn pessoal, como demonstrado por Frater ON120 em seu livro Corrente 93, está conectado ao homem que acompanha desde o seu nascimento através de seu veículo astral. Por isso, o daimōn pessoal pode ser comparado a uma criança de três anos que deve ser educada, pois uma vez que existe essa conexão astral, toda a programação sócio-cultural e inclinações tóxicas da mente serão transmitidas diretamente ao daimōn pessoal, tornando-o tão viciado e intoxicado quanto quem o programou. É necessário, portanto, reprogramar o daimōn viciado, pois ele, no caminho do vício, atola a Consciência em māyā, a ilusão e avidyā, falta de discernimento espiritual (ignorância).

 

Aleister Crowley sempre se referiu a Aiwass como um mestre espiritual desenvolvido e confessa somente ter dado a atenção merecida aos ensinamentos dele na medida em que ficava mais velho e experiente. O que sabemos dos instrutores mais antigos é que a reprogramação do daimōn pessoal caminha ao lado do trabalho iniciático interior. Na medida em que o Eu Inferior (personalidade) se alinha ao Eu Superior (Eu Solar), a Consciência é integrada nos três estados (vigília, sonho e sono sem sonhos) e o veículo da mente é alinhado em todas as suas funções. Isso permite uma completa reprogramação do daimōn pessoal.

 

Consciência daemônica e consciência demoníaca são termos que se aplicam ao daimōn pessoal curado ou viciado. A mente torpe, viciada, descontrolada e intoxicada (tamo-guṇa) é a responsável pela programação do daimōn viciado e também por interpretar suas instruções, distorcidas através de uma programação tamásica. Isso desenvolve a consciência demoníaca ou qliphótica. Essa função do daimōn viciado a cristandade chamou de diabo, sendo este o nome para o duplo ou a sombra (chaya)[3] que nos acompanha, o daimōn pessoal. A consciência daemônia, ao contrário, é a utilização da intuição (prajñā) para receber as instruções curadas do daimōn pessoal. A cristandade interpretou essa função do daimōn como o anjo guardião.

 

Relaciono a questão sobre Aiwass ser o daimōn pessoal vinculando ao conceito dado a estas criaturas como um espírito morto. Devido a essa informação em acordo com sua caminhada evolutiva, ele pode chegar a um patamar de guardião da Terra e dos homens.

 

Os Caminhos de Cheth & Ayin

 

Os Caminhos da Árvore da Vida que podem nos dar uma ideia mais ampla sobre a ilustração são os Caminhos de Cheth e Ayin, O Carro e O Diabo. O aspecto angelical ou organizado do daimōn está presente na carta O Carro, Atu VII. Na imagem podemos ver a carruagem sendo conduzida por um Cavaleiro enquanto ela é puxada pelos Quatro Querubins. O Cavaleiro é o Eu Superior controlando seus elementos. Ele é o aspecto que deve ser o direcionador dos nossos pensamentos, inspirações e ações através da intuição. A ilustração do daimōn lembra o Atu XV, O Diabo, e nos apresenta o seu aspecto viciado e confuso, onde estamos completamente perdidos em meio as correntes ilusórias projetadas pela nossa mente viciada e apegada aos sentidos, completamente tamásica, sem haver um contato com as partes superiores do nosso Ser, desprovido de um condutor adequado para nos guiar no caminho para realizar a Verdadeira Vontade. No Caminho de O Carro vemos a Verdadeira Vontade sendo cumprida, algo que na ilustração vemos a cegueira de O Diabo deixando-nos cada vez mais perdidos.

 

Podemos perceber que os dois Caminhos mencionados se encontram no Pilar Esquerdo da Árvore da Vida, onde a energia tem o movimento descendente, horizontal e materializador. Em certo sentido, o que cultivamos em nossa mente pode facilmente ser manifestada no Plano Material caso não tenhamos cuidado. O Caminho de O Diabo é a representação desta energia descendente e diz muito sobre a qualidade dos nossos pensamentos.

 

Os aspectos brutos que devem ser transformados fazem parte da nossa Quadratura Pessoal, isto está finamente ligado à forma com que o daimōn nos passará seus ensinamentos. Na ilustração isso se reflete a figura do pentagrama invertido no pescoço do daimōn, aqui ele está preso aos quatro elementos, a Quadratura, os seus sentidos que não conseguem lhe dar algo além de desencontros entre as aparências. Está submerso nas lamas dos vícios comportamentais que afastam o magista perdido nas ilusões da sua mente. A Matéria domina o Espírito.

 

O Túnel de A’ano’nin

 

A natureza deste Túnel está em perfeita harmonia com a ilustração, pois é uma perversão do Caminho de O Diabo. O Atu XV é atribuído ao signo zodiacal de Capricórnio, o Bode, regido por Saturno, Satã ou Set. A Vontade, ou Fogo, Terrestre. Saturno rege o metal mais restritivo, o chumbo.

 

Neste Túnel existe uma miríade de sátiros, seres cornudos e priápicos, vindos dos recônditos dos bosques de Pã em louco êxtase na busca incessante de saciar seus desejos mais animalescos, destilando o prazer e a dor, um combustível para a Roda do Sofrimento depois de se embebedarem em māyā. O sêmen se torna venenoso nestes pântanos, onde a Serpente rasteja em união com a Terra. O Prazer primitivo fala mais alto e os incautos são aprisionados pelas correntes dos seus próprios devaneios e ilusões sexuais e sensoriais. A Criação à galope vem com Força total, a onda de secreções da Mulher Escarlate acendem a chispa da Besta que ruge para baixo em total descontrole.

 

O néctar é perdido nas reuniões noturnas e bestiais do Sabbath nos altos das montanhas rodeados de névoas, onde o Bode e as bruxas realizam suas danças circulares e obscenas.

 

Māyā

 

Para finalizar trarei uma última relação referente à ilustração de Maya: o Daimōn Viciado, com o sexto tattva: māyā, a ilusão.

 

Os Tattvas representam os graus, ou níveis, do processo de toda manifestação, Śakti Devī, do processo da Realidade Absoluta até a manifestação das formas e diferenciação, do reducionismo da Unidade até a Multiplicidade, do Poder e da infinitude até chegar à individualização no plano material. Estes Tattvas originaram-se dos Cinco Poderes de Paramaśiva através dos aspectos de Śakti, a Manifestação:

 

  1. Cit: a Consciência Pura e Transcendente, o primeiro aspecto, é o princípio do poder de auto revelação ou auto manifestação.

  2. Ānanda: a harmonia e bem-aventurança, o segundo aspecto, é o poder de equilíbrio. Śiva e Śakti ainda não se distinguem, Śiva é o aspecto estático e Śakti é o aspecto dinâmico.

  3. Icchā: é a vontade ou desejo criativo. É o princípio, o poder, expresso como desejo e vontade de Ser. O Supremo é aqui conhecido como Sadaśiva.

  4. Jñāna: é o conhecimento, cognição. Denomina-se como o princípio Īśvara, o Senhor, pois neste nível temos a visão do divino como um Deus Pessoal.

  5. Kriyā: é o princípio e poder de assumir todas as formas. Chamado de Suddha Vidyā ou conhecimento puro.

 

É através desses poderes que tem início a manifestação, onde o Um torna-se Muitos. Os primeiros cinco princípios são denominados tattvas da grande experiência cósmica, chamados também de os princípios puros da manifestação (Suddha-Vidyā).

 

O Sexto Tattva é māyā. Com o prosseguimento da atividade (karma) de manifestação, a consciência envolvida nos resíduos do karma vai se restringindo e os canais cognitivos, que ainda são muito sutis, vão canalizando e velando a percepção consciencial. Deste ponto em diante se origina uma sequência denominada impura ou aśuddhadhva, pois a verdade está sendo contaminada e ocultada pelo véu da ilusão.

 

Nesta etapa surgem os restritores (kañcukas) conscienciais que diferenciam o vedor da visão. As restrições são decorrência da limitação da consciência que vai perdendo liberdade e tornando-se cada vez mais finita e localizada.

 

Neste processo, também denominado aśudha-māyā, o núcleo de consciência infinito (Eu) é coberto ou ocultado pelos cinco kañcukas, tornando-se um Ser limitado e finito.

 

A ilusão e os restritores dão origem à percepção da diferença entre o sujeito e objeto, porque o Eu, que é um núcleo consciencial infinito, passa a se ver finito e localizado e a ver sua infinitude como algo externo e fora de Si. Assim surge a percepção de Eu e Isto, ou Eu e não-Eu.

 

A Manifestação se apresenta aos nossos olhos como uma dualidade, onde percebemos o mundo com a distância da Causa e o Efeito, a separatividade do Ego nas suas jornadas em direção ao mundo e sua relação com as pessoas. Eu sou diferente disso e daquilo etc. Essa energia (e visão - Ayin) restritiva, descendente e materializadora é traduzida nos símbolos do Daimōn Viciado. Sua corrente energética em movimento sem nada que possa impedi-lo projeta o seu sêmen em direção a Terra e é dela que surgem as correntes duais que envolvem os seres neste plano e estado de consciência.

 

Podemos também compreender que as duas pessoas da ilustração também nasceram desse fluxo junto das correntes. O sofrimento que eles apresentam é a dor da separação, é somente na união dos opostos, em Intenso e Absoluto Amor (Ágape) é que Ānanda pode ser experimentada e Māyā ser assim transcendida dentro de cada um.

 

Deixo aqui minhas últimas palavras para essa edição, desejo aos leitores um ótimo estudo junto de todo o conteúdo que foi produzido com muito trabalho e esforço tornando possível que as edições do Jornal Corrente 93 sempre sejam mais ricas que as anteriores.

 

Aqui termina o excerto do livro Corrente 93. Ele está desatualizado, mas a ilustração que quis demonstrar é: a liberdade de escolha (livre-arbítrio) só ocorre quando o daimōn pessoal se alinhou completamente ao daimōn noético; nos termos do texto acima, quando a Personalidade no nephesh está alinhada ao neshamah. Enquanto daimōn pessoal estiver viciado, não há liberdade de escolha, não há livre-arbítrio.

 

O objetivo do daimōn pessoal ou Sagrado Anjo Guardião é leva-lo para além do tempo-espaço, filhos do Destino, transcendendo suas forças e amarras, para realização da Grande Obra, a deificação da alma.

 

 

Você pergunta: Na esteira do entendimento sobre «daimōn pessoal» e considerando sua característica em ser a força motriz dos impulsos da pessoa, pode-se inferir que a escolha da pessoa, por um determinado culto de divindade, foi influenciada pelo daimōn? Se sim, então o próprio daimōn escolhe a qual divindade quer se submeter, uma vez que influenciou a pessoa a enveredar por determinado culto de iniciação. Faz sentido essa reflexão?

 

Sim, perfeito. O daimōn pessoal tem sempre uma característica particular, associada ao signo ascendente na Carta Natal. Um daimōn dessa natureza apresentará virtudes e vícios profundamente venusianos, levando a inúmeras inclinações sexuais obsessivas, por exemplo, mas uma capacidade de entrega e devoção igualmente profunda. Neste sentido, um daimōn de personalidade marcial, inclinará o indivíduo a participação em um culto de uma divindade de guerra, mas não limitando ele, é claro, a somente este tipo de culto. Até porque o daimōn pessoal é um amálgama de muitas forças ancestrais astrais, que também imperam sua influência na vida do indivíduo. No meu caso, minha história é com deuses ctonianos...

 

Você pergunta: Se essa inferência for coerente, e considerando que buscamos em nossa jornada espiritual fundir, em nossa alma, todas as virtudes espirituais, de modo a alcançarmos a apoteose final, e que essa jornada é influenciada pelo SAG ou Daimōn Pessoal, então tudo é obra de uma Vontade absoluta que a todo instante objetiva somente sua apoteose...Tudo está se movendo apenas para esse propósito final?

 

Sim, absolutamente! Em Thelema existe a diferença entre vontade finita, que é a ação direta do Destino sobre a sua alma, e a vontade infinita, associada ao ímpeto de realização da Grande Obra, a deificação da alma. A vontade finita não traz realização infinita, i.e. seu escopo de realização estará sempre associado ao Destino, regido pala fórmula Solve et Coagula e, portanto, ao ciclo de morte e renascimento. A vontade infinita é um impulso cósmico latente dentro de cada alma, impelindo-a a realização da Grande Obra. Essa é a Vontade Absoluta a que se refere. Esta Vontade Absoluta capacita a alma ir além do Destino para sua glorificação, por meio de um Elo (eros) poderoso de atração magnética.

 

Você pergunta: Se é assim, então o livre arbítrio é apenas esse impulso primordial que está nos conduzindo, em todo instante, à apoteose da alma?

 

Sim, quando de fato há a liberdade de escolha, o livre-arbítrio, então há o impulso ao Bem como ensinou Platão. O livre-arbítrio é a escolha sempre vinculada a Verdadeira Vontade. Somente assim ele pode ser de verdade livre.

 

 

Amor é a lei, amor sob vontade.

 

Fr. AHA-ON, 777 ∵



NOTAS:

[1] Sagrado Anjo Guardião é um termo técnico em Thelema. Por muito tempo Aleister Crowley acreditou que o Sagrado Anjo Guardião era uma parte superior de todos nós, o próprio Eu Superior, outro termo técnico em Thelema que designa a cabeça ou a parte superior do ruach (Tiphereth, Geburah e Chesed). No fim de sua vida, Crowley adotou uma visão mais animista do mundo e compreendeu que o Sagrado Anjo Guardião não se tratava de uma parte superiuor de nós mesmos, mas de uma entidade a parte, com sua agenda e trabalho espiritual completamente independente. Esse Sagrado Anjo Guardião que acompanha a Alma na jornada de sua encarnação os gregos compreendiam na função do daimōn pessoal e os qabalístas na função dos Ishim, os Anjos de Malkuth. Dessa maneira, fica claro que o termo Sagrado Anjo Guardião em Thelema é muito mal empregado. Nesse caminho, a classificação que segiue pode ajudar: o daimōn pessoal (que deveria ser chamado de Sagrado Anjo Guardião) não se trata de uma parte superior de nós mesmos, mas uma entidade a parte de nosso universo individual que encarna junto com o homem para auxiliá-lo em sua jornada. O Sagrado Anjo Guardição em Thelema, dessa maneira, representa o Espírito Universal além do Abismo, do qual a Alma (o prório ruach), representa um ponto de vista do Espírito abaixo do Abismo. Um estudo profundo sobre o tema foi feito nas edições do Jornal Corrente 93 (Vol. I, Nos. 10 e 11; Vol. II, Nos. 1 e 2).

[2] Chefe Secreto é outro termo técnico em Thelema. Ele designa os grandes comandantes espirituais da humanidade. No presente, Aiwass é considerado o Chefe Secreto que rege o destino de toda humanidade. Este Chefe Secreto contatou Aleister Crowley no curso da Operação do Cairo, lhe transmitindo uma mensagem, extratos magicamente poderosos do Grimório Primordial que ficaram conhecidos como Liber AL vel Legis, popularmente conhecido como O Livro da Lei. A identidade de Aiwass sempre foi uma incógnita para Crowley e mais no fim de sua carreira ele o identificou como seu daimōn pessoal (que ele chamou de Sagrado Anjo Guardião). O daimōn pessoal é de natureza elemental. Poderia um Chefe Secreto encarnar como um daimōn pessoal? A ideia explora essa indagação.

[3] Veja Kenneth Grant, Cultos das Sombras em Jornal Corrente 93 (Vol. II, Nos. 4 & 5).

 
 
 

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